Com mais de 14 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, fabricantes de elevadores e plataformas precisam unir projetos personalizados, controle de produção e gestão integrada.
A acessibilidade tem ampliado o desafio de gestão para fabricantes de elevadores e plataformas elevatórias. Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE, indicam que o Brasil tinha 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais. O levantamento também aponta 5,2 milhões de pessoas com dificuldade para andar ou subir degraus, um dado diretamente relacionado à mobilidade em residências, clínicas, comércios, instituições e prédios de uso coletivo.
Além da demanda social, há um componente regulatório. A Lei nº 10.098 estabelece normas gerais para promoção da acessibilidade e determina que a construção, ampliação ou reforma de edifícios de uso coletivo seja executada de modo que esses espaços se tornem acessíveis às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Para fabricantes do setor, isso transforma acessibilidade em pauta técnica, produtiva e comercial.
Nesse cenário, indústrias que fabricam elevadores de passageiros e plataformas elevatórias precisam lidar com produtos sob encomenda, configurações específicas, informações técnicas detalhadas e comunicação precisa entre comercial, engenharia, compras, estoque, produção e financeiro. O desafio não é apenas vender uma solução de transporte vertical, mas garantir que o que foi combinado com o cliente seja corretamente projetado, comprado, produzido, entregue e acompanhado.
A Aptus Elevadores e Plataformas, indústria localizada em Aracaju, Sergipe, é um exemplo desse movimento. A empresa é especializada na fabricação de elevadores de passageiros e plataformas elevatórias e atende residências, clínicas, academias, galerias, construções e outros ambientes que precisam de soluções de transporte vertical para acessibilidade, conforto e circulação de pessoas.
Antes de profissionalizar sua gestão, a Aptus trabalhava com planilhas interligadas criadas internamente. Embora esses controles ajudassem a acompanhar algumas informações, a rotina exigia preenchimentos repetidos, dificultava a análise integrada da empresa e aumentava o risco de falhas na transferência de dados entre setores. A variedade de configurações técnicas também tornava mais difícil apresentar todos os detalhes dos produtos nas propostas comerciais.
A mudança ocorreu com a implantação do Nomus ERP Industrial pelo método Lean. A Aptus passou a centralizar CRM, vendas, compras, produção, estoque, financeiro e indicadores em um único ambiente, com propostas, pedidos de venda e ordens de produção conectados. O sistema também permitiu cadastrar atributos e configurações específicas para produtos sob encomenda, incluindo características técnicas dos elevadores e plataformas nas propostas.
Para Thiago Leão, diretor da Nomus, fabricantes que atuam com acessibilidade precisam tratar informação como parte do produto. “Quando uma plataforma ou elevador é feito sob medida, qualquer detalhe perdido entre a proposta e a produção pode gerar retrabalho, atraso ou custo adicional. A gestão integrada ajuda a garantir que os dados técnicos, comerciais e produtivos caminhem juntos”, afirma.
A experiência da Aptus aponta três cuidados para fabricantes que querem crescer nesse mercado. O primeiro é padronizar a passagem de informações entre venda e produção. O segundo é acompanhar materiais, compras e estoque de forma integrada às ordens de produção. O terceiro é criar indicadores próprios para o segmento, já que cada fabricante pode precisar medir propostas, projetos, prazos, configurações técnicas, gargalos e resultados financeiros de forma diferente.
Esse tipo de pauta também dialoga com debates sobre produtividade, tecnologia e gestão acompanhados por veículos voltados ao setor, como o Hora da Indústria. Para pequenas e médias fábricas, a acessibilidade deixou de ser apenas uma exigência de projeto ou atendimento ao cliente; tornou-se também uma oportunidade de melhorar processos internos e ganhar previsibilidade na produção.
No caso da Aptus, cliente da Nomus, o uso do Nomus ERP Industrial aparece de forma conectada a esse desafio: organizar processos para que uma indústria de produtos personalizados consiga crescer com mais rastreabilidade, propostas completas, comunicação entre áreas e análise gerencial. Com o sistema, a empresa também passou a criar dashboards específicos para o mercado de elevadores, ampliando a visão da direção sobre a operação.
Para Leão, a principal lição do caso é que a expansão do mercado de acessibilidade exige organização antes mesmo do aumento de demanda. “A indústria que atende esse setor precisa estar preparada para responder rápido, mas sem perder controle. A acessibilidade começa no projeto, passa pela produção e depende de uma gestão capaz de manter todas as áreas alinhadas”, conclui.
